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Mostrando postagens de 2017

Trevas no coração do jornalismo "de bem-estar"

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Sempre tive um certo pé atrás com o modo, digamos, "canônico" de se fazer jornalismo de saúde na grande imprensa brasileira. Há uma fórmula: parte-se de uma condição (uma doença -- digamos, câncer de pulmão), de um tratamento e/ou mecanismo preventivo (digamos, uma nova técnica cirúrgica, talvez uma vacina recém-lançada) ou de uma conduta (pode ser fumar, deixar de fumar, vacinar-se, não vacinar-se).

A partir daí, buscam-se os chamados "personagens", que são pessoas que sofrem da condição/submeteram-se ao tratamento/têm ou não têm a conduta. Até algum tempo atrás, matéria de saúde em jornalão, sem personagem, era algo quase tão herético quanto matéria de economia sem o Maílson da Nóbrega. E isso porque o Maílson deu uma sumida, mas os personagens, não.

Se o núcleo de personagens envolver uma família (a combinação de criancinha fofa doente com mamãe guerreira, cheia de esperança, mas com lágrima -- quase imperceptível -- no canto do olho é especialmente matadora), …

Inteligência, adaptação: quando o que é demais atrapalha

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Dois estudos publicados neste ano -- um no início do semestre, outro nesta semana -- indicam que há contextos em que realmente é possível ser "bom demais para o próprio bem". Um deles trata da relação entre liderança de equipes de trabalho e inteligência e o outro, com adaptação ao ambiente e evolução das espécies. Ambos são destaque na minha newsletter nesta semana (detalhes abaixo).

O primeiro, realizado na Europa e publicado no periódico Journal of Applied Psychology sugere que inteligência muito alta, tal como medida em bons testes de QI, pode atrapalhar o exercício da liderança. O levantamento, que comparou características de personalidade e inteligência de mais de 300 administradores de nível hierárquico médio com suas qualidades para o papel de liderança, auferidas em questionários preenchidos por colegas de trabalho e subordinados.

Os autores encontraram uma relação de "U" invertido: quanto maior a inteligência, melhor a performance do líder era avaliada -…

Aventuras na Não-História

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Avram Davidson foi um dos grandes escritores americanos do século passado, e é uma pena que seja tão pouco lembrado hoje em dia. Além de ter produzido obras maravilhosas de ficção científica, mistério e fantasia (sua série de contos Adventures of Doctor Eszterhazy, sobre uma Era Vitoriana alternativa onde as superstições e pseudociências da época realmente "funcionavam", é uma série da Netflix ou HBO esperando para acontecer), ele também produziu algumas peças tão divertidas quanto eruditas de não-ficção, reunidas no volume Adventures in Uhhistory.

Neste livro, Davidson especula sobre as origens de algumas lendas que, durante certo tempo, foram consideradas por certas pessoas (ou por povos inteiros) fatos históricos -- como o Preste João, por exemplo, um suposto rei cristão que existiria no Oriente, durante a  Idade Média.

O tipo de "não-história" coberto em Adventures é, ao menos sob o ponto de vista atual, fundamentalmente benigno, mas há modalidades bem menos i…

Medindo o poder da mídia com ciência

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A exposição de um assunto na mídia, mesmo que apenas através de veículos de pequeno ou médio porte, é capaz de modificar a opinião pública -- e se não chega a mudar as opiniões individuais dos membros do público, ao menos afeta o tom e o conteúdo da " grande conversação" da sociedade. Esse fenômeno, que até agora só havia sido captado indiretamente, foi quantificado num estudo ambicioso publicado na revista Science desta semana.

Os autores, da Universidade Harvard e do MIT, inspirados nos protocolos usados para testar tratamentos médicos, desenvolveram um método para aplicar a "droga" de sua escolha (no caso, conteúdos jornalísticos específicos), de forma controlada e randomizada, à "população de tratamento" -- no caso, o público dos Estados Unidos.

Os autores firmaram parceria com mais de 40 veículos de pequeno ou médio porte, que concordaram em produzir conteúdo a partir de um cardápio de 11 questões de política pública -- raça, imigração, emprego, abo…

Lições de um fosfofracasso

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As autoridades sanitárias do Estado de São Paulo finalmente apresentaram ao público -- ainda que de forma limitada -- os resultados do teste, patrocinado por essa unidade da Federação, da chamada "fosfoetanolamina sintética" em pacientes de câncer. O desfecho foi considerado "desanimador", e com razão: de mais de 70 pacientes envolvidos, apenas um mostrou sinais de progresso.

Aqui, é importante notar que o estudo paulista foi feito sem grupo de controle, o que significa, em termos práticos, que qualquer sensação de melhora produzida -- por pura sorte, por uma mudança no ajuste do ar condicionado, por efeito placebo -- poderia acabar sendo atribuída, pelos groupies do criador da "fosfo", à substância. E nem com essa ajuda o produto conseguiu algo de chamativo para mostrar.

Muita gente se aferra à crença na "fosfo" por conta dos depoimentos das pessoas que acreditam ter sido beneficiadas pela cápsula. Uma das lições mais duras da história da Medic…

Diversidade na pesquisa médica

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Estudo divulgado nesta segunda-feira, 6, pelo periódico Nature Human Behaviour aponta que a presença de mulheres num grupo de pesquisa médica aumenta a probabilidade de o estudo conduzido incluir análises específicas sobre sexo e/ou gênero.

"Estudos médicos que incluem mulheres, especialmente em posições de liderança, têm muito maior chance de discutir possíveis diferenças sexuais e de gênero no risco de doenças, prevenção e tratamento", diz a nota à imprensa divulgada pelo Grupo Nature sobre o trabalho, conduzido por pesquisadores de Stanford, nos Estados Unidos, e da Dinamarca.

"Usando uma amostra de mais de 1,5 milhão de artigos de pesquisa médica, nosso estudo examinou a ligação potencial entre a participação de mulheres na ciência médica e a atenção a fatores relacionados a sexo e gênero em pesquisas específicas sobre doenças", escrevem os autores.

"Mulheres são 40% dos primeiros autores em estudos que não incluem análise de sexo e gênero (ASG), e 49% no…

Raios cósmicos e a Grande Pirâmide

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"Os egípcios não eram um povo de mentalidade esotérica", escreve o antropólogo e arqueólogo Paul Jordan em sua contribuição para o livro Archaeological Fantasies. "Mesmo os rituais de Osíris eram bem menos esotéricos que os mistérios de Elêusis dos gregos (...) O Livro dos Mortos pode ser obscuro e fantástico, mas não é uma composição esotérica". A ideia do Egito Antigo como uma terra de mistérios e segredos esotéricos escondidos por trás de uma mitologia alegórica, a ser interpretada por iniciados, é uma invenção tardia, surgida no período posterior à conquista do país por Alexandre Magno e amplificada na Europa da Renascença e, depois, na Era Vitoriana.

Por conta disso, é uma grata surpresa encontrar, na literatura científica, um verdadeiro mistério egípcio -- e envolvendo não só uma das pirâmides como, também, raios cósmicos!

Vamos lá: três experimentos envolvendo detectores de múons -- partículas criadas pela colisão de raios cósmicos com a atmosfera, e que vi…

Cidadãos-cientistas vs. mosquitos

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Um aplicativo de celular, Mosquito Alert, pelo qual cidadãos comuns podiam reportar avistamentos do mosquito-tigre (Aedes albopictus), um vetor de doenças como dengue e zika, mostrou-se mais eficiente para monitorar a invasão da espécie na Espanha do que os métodos tradicionais de vigilância, que dependem da colocação de armadilhas para capturar ovos dos insetos, diz artigo publicado em Nature Communications.

"Nosso sistema fornece informações acuradas de aviso prévio sobre o mosquito na Espanha, muito além do disponível via métodos tradicionais, e vitais para os serviços de saúde pública", escrevem os autores. "Estes resultados ilustram o quanto a participação pública na ciência pode ser poderosa, e indica que a ciência cidadã está em posição de revolucionar a vigilância das doenças transmitidas por mosquitos em todo o mundo".

Esta nota fez parte da newsletter enviada a assinantes na semana passada.


Leituras para Halloween e adjacências

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Muito tempo atrás, numa galáxia muito distante (na verdade, há uns 20 anos, e por aqui mesmo) eu escrevia histórias de terror. Muitas. Algumas até ganharam uns prêmios por aí. Saíram em fanzines xerocados de papel, em livros de editoras obscuras (e que fecharam, ou mudaram de linha editorial, há tempos). Ano passado, no entanto, boa parte dessa produção acabou reunida num livro só, de uma editora muito viva, a Draco. É este aqui:


Também tenho uns contos avulsos publicados em e-book, como este aqui, sobre vampiros e este outro, com lobisomem. Há quem diga que a coisa mais assustadora que já escrevi foi este conto de ficção (pseudo)científica, mas não vou dar palpite a respeito. Claro, se alguém quiser aproveitar o período para refletir sobre a trêmula e periclitante base factual por trás de coisas como possessões e exorcismo, tenho O Livro dos Milagres. E para quem estiver a fim de se livrar de uma superstição antiga, há O Livro da Astrologia.

A venda dessas obras ajuda a manter este b…

Monstro de Loch Ness como "fake news"

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Em 1983, o livro The Loch Ness Mystery Solved, de Ronald Binns, obteve aquele feito raro no mundo da literatura sobre mistérios do mundo real: apresentou, de fato, a solução do problema. Em pouco mais de 200 páginas, Binns destrincha cuidadosamente o caso do lago escocês, mostrando como uma série de testemunhos vagos, notícias sensacionalistas, fraudes e brincadeiras (porque, claro, o ser humano é um animal intratável) acabou moldando a narrativa de uma criatura pré-histórica vivendo em Loch Ness.

Agora em 2017, mais de 30 anos depois de seu triunfo, Binns publica um novo volume, The Loch Ness Mystery Reloaded, em que revisita a evidência coligida para o livro de 1983, atualiza alguns pontos -- por exemplo, incluindo a confissão do criador do dinossauro de brinquedo que gerou a famosa foto do monstro de 1934 (a "Fotografia do Cirurgião", abaixo) e reinterpreta a gênese do mito sob o enfoque atual das "fake news".



O momento zero da lenda do Monstro de Loch Ness pod…

O poder do preço no efeito nocebo

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Pacientes tendem a reportar efeitos colaterais mais intensos quando informados de que a droga que estão recebendo é muito cara -- mesmo quando a droga é, na verdade, uma substância inerte. O chamado efeito nocebo, quando a mera crença de que se está consumindo uma substância ativa leva o paciente a sentir dor ou outros malefícios, foi tema de artigo publicado na revista Scienceno início do mês (e quem assina a minha newsletter ficou sabendo disso antes!).

O nocebo é o oposto do efeito placebo, em que pacientes que recebem "medicamentos" inertes acabam reportando melhoras. Os autores do artigo na Science, vinculados a instituições europeias, lembram que, quando o placebo atua contra a dor, o mecanismo de ação está ligado à produção de opioides no cérebro e ao recrutamento de um sistema de modulação da dor que afeta a medula espinhal.

Informação sobre o preço do falso medicamento pode ampliar o efeito placebo ("remédios" mais caros parecem funcionar melhor), e o nov…

TEDx, Unicamp, Unesp: agenda cheia!

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A vida anda acelerando neste fim de ano, e ao que tudo indica a angústia atual com a proliferação de "fake news" e "pós-verdade" está fazendo com que as pessoas prestem um pouco mais de atenção em trabalhos como o meu, na fronteira entre o ceticismo e a divulgação científica. As próximas semanas serão agitadas por aqui. Segue a agenda:

Nesta sexta-feira, dia 27, falarei no TEDx USP sobre minha experiência de 20 anos tentando escrever racionalmente sobre coisas como deuses astronautas, o Sudário de Turim, curas quânticas, teorias da conspiração e horóscopos, e como as lições que aprendi, ao longo de minha carreira bizarra no jornalismo, podem se transferir para a população em geral, nesta época em que as notícias falsas e os exageros absurdos saíram das páginas de curiosidade e entretenimento e caíram no mainstream. O TEDx terá, além do espaço no auditório, transmissão online, neste link.

No próximo dia 14 de novembro estarei no Simpósio Mídia e Pesquisa da Embrapa, …

Arte vulcânica marciana

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Esta foto aí é a ampliação de uma seção de um milímetro de largura de um meteorito marciano, vista por um microscópio de luz polarizada. As diferentes cores representam diferentes minerais. Ela faz parte de um estudo publicado emNature Communications sobre a taxa de crescimento dos vulcões marcianos, que pelo que estimam os autores é muito mais lenta que a verificada na Terra.

O estudo foi feito com base numa família de meteoritos que se originou, toda ela, de um único evento -- a colisão de um asteroide com a encosta de um vulcão marciano há 10 milhões de anos (mais ou menos), lançando lascas ao espaço. Algumas delas caíram na Terra, em lugares tão diversos quanto Egito, Antártida e Brasil (o Meteorito Governador Valadares).

Mas essa conversa de meteorito e vulcões marcianos é só desculpa minha para publicar a foto, mesmo. Eu podia tentar sacar da algibeira algumas platitudes (como "sacar da algibeira") sobre a interação entre acaso, catástrofe, natureza, ciência e arte --…

Por uma indignação mais seletiva

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No universo das redes sociais, "indignação seletiva" virou sinônimo de hipocrisia, mas eu gostaria de sugerir que, tomada ao pé da letra, esta expressão define algo de que precisamos com urgência: um senso de indignação que selecione melhor seus alvos. A histeria coletiva em torno do "caso" MAM é apenas um exemplo, mas dá para citar vários outros.

Quem já habitava este Vale de Lágrimas nas últimas décadas do século passado talvez se lembre de dois importantes slogans da era pós-ditadura, quando forças então de esquerda e então racionais e éticas (a saber, o velho PT e o núcleo peemedebista que viria a criar o velho PSDB) disputavam o poder com os herdeiros corruptos e retrógrados do entulho autoritário, como o PFL (que virou DEM) e o partido do Maluf (que mudou tanto de nome que não sei mais como se chama). Esses slogans eram: "Não podemos nos dispersar" e "Temos de nos indignar".

A primeira dessas exortações pode soar, dependendo das inclinaçõ…

Zika Vírus mutante, origem dos planetas, ondas gravitacionais, percevejos

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Esses são alguns dos temas da newsletter desta semana, já enviada aos assinantes. Para assinar, é preciso escolher a segunda opção no menu abaixo (a terceira e a quarta também estão valendo, claro...)


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Satanistas e pastafarianos, uni-vos!

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Já escrevi tanto sobre laicismoe ateísmo militante (por exemplo, nesta postagem do blog, nesta outra e neste artigo para a Folha de S. Paulo [atrás de um payall, sorry]), que a preguiça quase me impede de volar ao assunto. Mas, fazer o quê, né? Repetindo o que escrevi há mais de seis (seis!) anos:

Sei que muita gente torce o nariz para esse ateísmo, digamos, "in your face", exibicionista, loquaz -- estridente, diriam alguns. Amigos cuja opinião respeito queixam-se de que esse "novo ateísmo", ou "ateísmo afirmativo", acaba sendo tão chato, inoportuno, pentelho, etc., quanto o proselitismo religioso. Será que as pessoas não seriam mais felizes se, simplesmente, parássemos de encher o saco uns dos outros com metafísica?

Por mais que eu possa simpatizar com a opinião expressa no parágrafo acima, ela deixa de levar em conta dois fatores -- talvez os fatores -- fundamentais: primeiro, a religião é estruturalmente incapaz de respeitar uma trégua do tipo; el…

Sarek e Teoria dos Jogos

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Gostei dos dois primeiros episódios de Star Trek Discovery. Não que sejam perfeitos (spoilers começam aqui) -- por exemplo, o fato de a nave  Shenzhou não ter uma sonda não-tripulada disponível ainda me soa estranho -- mas, no geral, os episódios são boa ficção científica, dentro dos padrões de um espetáculo de massa, e boa Star Trek.

A ver se o nível se mantém ou melhora nos próximos episódios, claro.

Sei que muita gente vai discordar da última afirmação do primeiro parágrafo, então aqui vou eu defendê-la contra a ideia de que a série é Trek "apenas em forma, não em espírito". Evidências pró: temos  a missão que abre o primeiro episódio, salvar uma espécie alienígena de uma seca; o maravilhamento da protagonista com o fenômeno cósmico que estuda em seguida, seu sobrevoo quase reverente da misteriosa estrutura klingon, que por alguns instantes faz lembrar Arthur C. Clarke; temos linhas e mais linhas de diálogo ("A Frota Estelar nunca atira primeiro", "Somos e…

"Cura Gay" é o "Design Inteligente" da saúde mental

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"Design Inteligente" (DI) é um movimento de marketing político-religioso, disfarçado de ciência, que tenta contrabandear o criacionismo -- a ideia de que a vida na Terra é, demonstravelmente, o produto da ação deliberada de um ser mitológico adorado por tribos semitas da Era do Bronze -- para as salas de aula. Intelectualmente, trata-se de uma realização da falácia de petitio principii, ou presumir a conclusão: já que a Bíblia está certa, a ciência tem de demonstrar isso, e a evolução não pode ser verdade.

Sua expansão no Brasil coincidiu com a conquista de força política e penetração popular por denominações cristãs de forte inspiração norte-americana. Os Estados Unidos são o berço do design inteligente, que é promovido, principalmente, pelo think-tank cristão Discovery Institute.

A chamada "Terapia de Reorientação Sexual", ou "cura gay", não é lá muito diferente disso. Ela também tem seu think-tank gringo, sua aceitação também depende muito mais de con…

100 anos do "Último Adeus"

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Vamos fechar a semana tratando de coisas agradáveis? Hoje faz cem anos que o conto O Último Adeus de Sherlock Holmes (His Last Bow) foi publicado na revista americanaCollier's. Esta história não foi, de fato, o "último adeus" do personagem -- Conan Doyle continuaria publicando novas histórias de Holmes por mais dez anos -- mas ela traz uma série de peculiaridades: é o único conto concebido e escrito em terceira pessoa (o texto de A Pedra Mazarino, que também usa esse tipo de narração, havia sido planejado como peça de teatro), é o mais adiantado na cronologia do personagem (passa-se em 1914) e, claro, trata da atuação de Sherlock Holmes na contraespionagem inglesa às vésperas da I Guerra Mundial.

Segundo Owen Dudley Edwards, editor da coleção de Sherlock Holmes publicada pela Universidade Oxford, o conto parece ter sido inspirado por uma visita de Arthur Conan Doyle ao front francês em 1916, quando o general George-Louis Humbert perguntou ao escritor se Sherlock Holmes …

Estreia da newsletter!

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Um pouco mais cedo, hoje, disparei a primeira edição da newsletter do blog, um e-mail contendo notas que resumem algumas das descobertas científicas mais importantes ou interessantes (em minha opinião, claro) da semana. O cabeçalho foi este:


A manchete trata dos resultados mais recentes da Colaboração Pierre Auger, anunciados na Science.Mais lá pra baixo há outras notas (nesta semana foram sete, ao todo), e concluindo com estas:


(Essa dos dinossauros prossegue, aí só tem o lide)

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Todo mundo está errado

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Todo mundo acredita em bobagens. Cada um dos leitores deste artigo. E eu também, claro. É óbvio: o ser humano é falível. Qualquer pessoa mentalmente sã deve ser capaz de admitir que, em algum canto do cérebro, haverá pelo menos uma crença falsa, uma convicção inválida, uma opinião que não corresponde aos fatos. Uma bobagem.

Isso, em teoria. Mas, e na prática? Quando analisamos criticamente o conteúdo de nossas mentes e verificamos as crenças que temos, uma a uma, é raro conseguirmos achar algo de errado: mesmo quando nossos amigos ou adversários nos oferecem argumentos que contrariam nossas opiniões, caímos muito facilmente num diagnóstico do tipo “eu sou racional, meu amigo é teimoso, meu adversário é um idiota”. (Leia o restante deste ensaio na Revista Amálgama)

Ciência e sociedade, duas vezes

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Muita gente, e muita gente inteligente, desconfia dos apelos à ciência e à matemática no debate de problemas sociais: nos primórdios de minha carreira jornalística, tive um editor -- excelente jornalista, diga-se -- que não hesitava em igualar o uso de números à mera picaretagem: "estatística é o que diz que o pobre e o rico jantaram, em média, meio banquete cada", dizia. Acusações genéricas de "cientificismo" são hoje menos frequentes do que já foram, mas ainda dão o ar de sua graça.

Numa população com um nível educacional tão baixo e tão pouco afeita a mexer com números (para felicidade dos bancos e das lojas que vendem a prazo), essa atitude ressabiada tem lá sua razão de ser, mas se levada ao extremo, pode causar danos irreparáveis. A melhor resposta que já encontrei está no livro Naked Statistics, do economista Charles Wheelan, que cita o matemático sueco Andrejs Dunkels: "é fácil mentir com estatísticas, mas é difícil contar a verdade sem elas".

Es…