quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Múltiplos mundos habitáveis: história e ficção

Sete planetas, com massas estimadas entre metade e o dobro da do planeta Terra e temperaturas capazes de suportar a existência de água em estado líquido, foram encontrados em órbita de uma diminuta estrela a 39 anos-luz da Terra. É verdade que se fala que apenas três deles estão na chamada “zona habitável” da estrela, mas esse conceito de “habitável” é, para dizer o mínimo, controverso: para defini-la corretamente, é preciso levar em consideração muitos outros fatores para além da irradiação estelar, como, por exemplo, a atividade geológica. No nosso próprio Sistema Solar, afinal, as luas de Júpiter e Saturno, que estão bem fora da zona habitável ortodoxa, são hoje os principais candidatos a abrigar formas de vida extraterrestre.


Com massa que é apenas 8% da do Sol, a estrela, chamada TRAPPIST-1, é uma “anã vermelha gelada”, pequena e de temperatura relativamente baixa. A descoberta é descrita na revista Nature. Para os fãs de quadrinhos, é curioso lembrar que a estrela do planeta Krypton costumava ser descrita como uma anã vermelha.

A descoberta do complexo sistema de TRAPPIST-1 pode voltar a pôr na moda uma ideia que a ficção científica vinha deixando mais ou menos de lado, a de sistemas estelares com múltiplos mundos habitáveis. Eles já haviam sido bem comuns no passado. Por exemplo, em sua série dos Príncipes Demônios, o grande Jack Vance dava à estrela Rigel nada menos que 26 planetas, muitos deles adequados para a vida humana. A série Jornada nas Estrelas também tem episódios envolvendo conflitos entre planetas de um mesmo sistema (Um Gosto de Armageddon e Padrões de Força logo vêm à mente).

Historicamente, até metade do século passado não era irrazoável supor que pudesse haver vida avançada em Marte: há registros históricos de que, em 1924, houve um esforço para se tentar captar transmissões de rádio vindas do Planeta Vermelho. Na época, Edgar Rice Burroughs povoava todo o Sistema Solar com espécies autóctones: seus livros estavam cheios de marcianos, venusianos e selenitas, seguindo uma tradição que remontava a Luciano de Samósata, passando por Cyrano de Bergerac.

Mas a ideia vinha de diversos planetas habitáveis em órbita de uma mesma estrela andou ficando de lado nos últimos tempos, substituída por tropos como a terraformação (conversão de mundos inabitáveis em habitáveis por meios tecnológicos) e a colonização transumana (a adaptação artificial do corpo humano para a sobrevivência em ambientes hostis). Ambas as abordagens nascem do pressuposto de que mundos adequados para a vida são extremamente raros. E se cesse pressuposto estiver errado?

Três dos mundos do novo sistema já haviam sido encontrados em órbita de TRAPPIST-1 no ano passado, por meio da técnica de trânsito, em que a presença do planeta é inferida pela queda no brilho da estrela, quando um obstáculo passa pela linha de visão entre o astro e a Terra. Essas descobertas originais levaram pesquisadores a lançar uma campanha contínua de observação da estrela, cujos resultados são publicados agora.

Os autores no artigo mais recente são baseados nos EUA, Europa e Oriente Médio, e chamam atenção para o fato de que deve ser possível caracterizar a atmosfera desses novos mundos, “com instalações astronômicas atuais ou futuras”.

O fato de os planetas transitarem diante da estrela torna, em princípio, possível o uso da “iluminação de fundo” fornecida por ela em análises espectroscópicas. A eventual presença de oxigênio na atmosfera de algum dos mundos de TRAPPIST-1 poderia ser um indicador da existência de vida.


“Os seis planetas internos formam uma cadeia quase-ressonante, tal que seus períodos orbitais (...) são razões aproximadas de pequenos números inteiros”, diz o artigo. “Essa arquitetura sugere que os planetas se formaram longe da estrela e migraram para dentro. Além disso, os sete planetas têm temperaturas de equilíbrio são baixas o bastante para possibilitar a presença de água em estado líquido em suas superfícies”.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Suplemento alimentar e a fosfogringa

A categoria "suplemento alimentar" é um monstrengo inventado pelo Congresso americano nos anos 90 para acomodar o lobby de companhias que queriam poder vender pílulas e cápsulas prometendo benefícios de saúde sem, no entanto, ter de se submeter a incômodos burocráticos como oferecer prova científica de que o produto é útil e seguro.

O início do século 20 viu o auge da era do "remédio de patente", misturas misteriosas, muitas vezes à base de álcool e drogas pesadas, vendidas livremente com a promessa de operar curas milagrosas. Se você acha que os pais de hoje exageram na ritalina, em 1900 as mães americanas ou britânicas que precisavam trabalhar fora davam a seus filhos o Xarope Calmante da Senhora Winslow, uma mistura de morfina, álcool e amônia. Bastava uma colher de sopa para nocautear os pequerruchos por várias horas.

No fim da década de 30, uma fábrica de remédios, também nos Estados Unidos, resolveu criar uma versão do antibiótico sulfanilamida que fosse agradável ao paladar infantil. A mistura incluía açúcar, caramelo, essência de amora -- e dietilenoglicol, um éter anticongelante e tóxico. Mais de cem pessoas morreram.

Eventos assim levaram à criação e posterior fortalecimento da FDA, o órgão do governo americano que serviu de inspiração para diversas agências pelo mundo, incluindo a brasileira Anvisa. As bases da agência são bem simples: antes de poder ser oferecido no mercado,  um produto que alegue ser eficaz contra algum tipo de doença precisa apresentar provas científicas competentes de que é seguro e funciona. 

A atuação da FDA e de suas agências coirmãs pelo mundo nunca foi pacífica: lobbies políticos vivem se articulando para criar exceções, como as que favorecem medicamentos homeopáticos e, em tempos mais recentes, os assim chamados suplementos. A homeopatia é assunto para outro dia, mas os suplementos tentam se escorar na alegação de que são ingredientes já presentes naturalmente na dieta humana, ou que vêm de fontes "naturais". 

Nada disso, na verdade, significa muita coisa: sal e colesterol LDL são parte natural da dieta, por exemplo, mas ninguém acha que tomar comprimidos disso vai lhe fazer bem. Quanto às supostas "fontes naturais",  o livro Do You Believe in Magic, do médico Paul Offit, traz a transcrição de um debate realizado no Congresso dos EUA entre David Kessler, representando a FDA, e o senador Orrin Hatch, cujas campanhas eram financiadas por empresas insuspeitas como Herbalife e Metabolfie, depois que a FDA mandou confiscar lotes de um óleo herbal. A tradução abaixo é minha:
HATCH: Que ameaças a FDA estava combatendo para usar tantos recursos e pessoal?
KESSLER: Senador, posso ler para o senhor as alegações feitas a respeito desse óleo. Elas começam com câncer.
HATCH: Lembre-se, a questão aqui é segurança.
KESSLER: Minha preocupação é quanto aos tipos de doenças para que esse óleo é promovido.
HATCH: Minha questão é: que prova vocês têm de que essa substância é insegura?
KESSLER: Este negócio está sendo promovido para um monte de doenças, de hipertensão a dermatite.
HATCH: Segurança, doutor, segurança! Eis a questão! Um cidadão americano corre mais risco de morrer do efeito adverso de um suplemento alimentar ou de uma droga aprovada?
KESSLER:  Senador, estou estupefato. O que o senhor acha que há nos medicamentos? Metade dos nossos produtos farmacêuticos vêm de plantas. Há produtos químicos nos medicamentos, e esses produtos são encontrados na natureza.
Os debates parlamentares americanos incluíram depoimentos de vítimas de um suplemento, que continha doses altas do aminoácido L-triptofano (também "natural"). Centenas de pessoas sofreram graves danos neurológicos, e mais de 20 morreram. Mas o lobby dos suplementos tinha mais dinheiro -- chegou a produzir um comercial de TV em que agentes do FBI invadiam o apartamento de Mel Gibson (!!) para confiscar um frasco de vitaminas.

Esse lobby levou o Congresso americano a definir uma categoria especial de produto farmacêutico, a de "suplemento alimentar", que foi deixada fora da jurisdição da FDA. O argumento que venceu foi o da liberdade do consumidor: basicamente, preservou-se o direito do cidadão de se deixar engabelar por comerciais que dizem que vitamina C cura gripe.

Escrevi tudo isso aí em cima para dar aos leitores um pouco de contexto sobre a decisão de dois "dissidentes" do grupo da fosfoetanolamina de São Carlos de produzir a molécula nos Estados Unidos como "suplemento alimentar", tal como noticiado pelo jornalista Herton Escobar. A verdade é que a lei americana sobre o assunto é frouxa, foi aprovada por meio de apelos desonestos à opinião pública e promovida por empresas que não tinham nenhum fiapo de evidência científica a apoiá-las; o fato de brasileiros optarem por beneficiar-se dela é algo que me abstenho de comentar.

Se a lei americana é frouxa e equivocada, a brasileira é omissa.  Em seu site, a Anvisa diz que sequer reconhece a categoria de "suplemento alimentar".O fato de as cápsulas estarem sendo fabricadas na Disneylândia regulatória dos EUA, mas direcionadas ao público brasileiro -- já devidamente "amaciado" para imaginar que essa substância é útil contra o câncer, graças a uma combinação de jornalismo abominável e covardia política -- talvez faça subir algumas sobrancelhas entre as autoridades responsáveis. Eu, pelo menos, gostaria de imaginar que sim.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Internet nos anos 90: meninos, eu vi

Uma conversa rápida no Facebook me lembrou de que, ano passado, fez 20 anos que comecei a trabalhar com jornalismo na internet -- havia entrado para a equipe online da Agência Estado um pouco antes do início dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Cobrimos os jogos em "tempo real", ou o mais parecido com isso que era possível na época da conexão discada: pegar os resultados das modalidades pela TV ou nas agências internacionais, redigir os textos (curtos!), montá-los no editor HTML e passar pro pessoal da TI (que não chamava TI, e sim "informática") "subir" a edição no FTP -- isso é file transfer protocol pra vocês aí da geração nutella-banda larga. Fazíamos quatro edições por dia. Havia um debate acalorado sobre se valeria a pena fazer uma edição de madrugada (quem fica ligado no computador depois das dez da noite? povo não tem nada melhor pra fazer?).

[NOTA: Edmundo Leite me lembra de que, na verdade, a cobertura dos jogos de 96 teve um esquema especial que não requeria a edição prévia em HTML. Então, o processo que descrevi acima valia para as notícias sobre outros assuntos, mas não para o noticiário olímpico. A interface gráfica -- em que o jornalista copia o texto do Word e joga num formulário online, que faz a formatação do código automaticamente, como o sistema do blogger ou do Facebook -- só se generalizou em 1998, se não estou enganado...]



A cara do site era esta:


Aí fui fuçar no Web Archive e encontrei o que parece ser o mais antigo texto meu publicado online, ainda assinado com meu nome completo, antes, portanto, do editor Robson Pereira decidir que a versão curta, "Carlos Orsi", ficava melhor:


O título da seção, "Direto da Internet", é sintomático: numa época em que a web ainda era uma mídia de nicho, parte do trabalho envolvia apresentar às pessoas coisas legais que elas poderiam encontrar online. Eu fazia questão de incluir, pelo menos, um link por parágrafo. Se hoje uma das principais preocupações dos editores é evitar que as pessoas saiam de seus sites, naquele momento o objetivo era quase o oposto: mostrar para as pessoas que a web era um lugar interessante e que valia a pena passear por ela.

Um ano depois, o lay-out já era outro:



E como a internet era a "mídia do futuro", em 1997 criamos uma seção, chamada Ano 2000, sobre... o futuro! Esse virou um espaço que misturava futurismo e divulgação científica, e que acabei editando. Muita gente colaborava, mas abaixo vai um texto meu:


Já era um artigo cético, o que mostra que certas vocações nascem cedo. Hoje em dia é meio embaraçoso reler essas coisas, mas também não deixa de ser um constrangimento, até certo ponto, divertido.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Trump contra a ciência

A comunidade científica dos Estados Unidos vinha prendendo a respiração, esperando pelo pior, desde o anúncio da vitória de Donald J. Trump na eleição para a Casa Branca. Já se sabia, afinal, que Trump é um negacionista do aquecimento global antropogênico e que seu vice, Michael Pence, não acredita no elo entre tabaco e câncer de pulmão. Após a cerimônia de posse, ficou claro que Sean Spicer, o assessor de imprensa da Casa Branca, não acredita em aritmética. O fato de jornalistas não terem perguntado aos membros da nova administração o que pensam a respeito da forma da Terra, de sua posição no espaço relativa ao Sol e, crucialmente, de que tipo de queijo a Lua é feita é, talvez, um ato de caridade para com o Partido Republicano.

Durante o período de transição, Trump logo confirmou os piores pesadelos de seus mais virulentos detratores dentro da comunidade científica. A lista de atrocidades é ampla, mas um exemplo: no início de janeiro, ainda presidente-eleito, convidou Robert Kennedy Jr., um proponente da tese – desacreditada – de que vacinas causam autismo, para encabeçar um comitê sobre “segurança das vacinações”. (Leia a íntegra deste artigo na Revista Amálgama)

sábado, 28 de janeiro de 2017

Eike e as estrelas

Meu Livro da Astrologia trata, em diversos pontos, da influência das previsões astrológicas na política, mas não falo sobre economia. Depois de ver a notícia abaixo na Folha de S. Paulo de hoje, no entanto, pergunto-me se não seria o caso de escrever um posfácio:


As pessoas talvez fiquem surpresas ao saber que investidores com bilhões em jogo dão atenção a coisas como mapas astrais, mas a verdade é que, quando se compara o mundo das altas finanças a um cassino, a metáfora está muito mais próxima da realidade do que o mito de um mercado regido por decisões racionais de agentes ideais bem-informados sugere. Sempre que risco e incerteza entram em jogo, a superstição nunca está muito longe.

Falando especificamente de "consultoria" financeira e administração de investimentos, sempre que se busca ir além do óbvio ditado pelo bom-senso, torna-se virtualmente impossível distinguir competência de simples sorte (ou venalidade, como em casos em que a posse de informação privilegiada cria uma vantagem real para alguém).

A longa lista de mega-gurus das finanças caídos em desgraça é, de certa forma, uma lista de apostadores que acabaram alcançados pela lei das probabilidades: nesse tipo de cenário, apelar para os astros pode ser tão (i)racional quanto dar ouvidos ao seu consultor cinco estrelas.

Artigo publicado em 2013 no Journal of Finance, de autoria de pesquisadores da Universidade de Oxford, aponta que os conselhos de consultores sobre a seleção de fundos para investir são, no geral, inúteis ou levemente prejudiciais: "não encontramos evidências de que os produtos recomendados superam, de modo significativo, outros produtos (...) determinamos que o retorno médio dos produtos recomendados é, na verdade, 1% inferior ao de outros produtos". Astrólogos dificilmente se sairiam pior.

Outro trabalho, publicado em 2008 no mesmo periódico, mostra que as performances de gestores de fundos recém-contratados (porque vinham se saindo muito bem no emprego anterior) e recém-demitidos (porque estavam indo muito mal) são estatisticamente equivalentes no longo prazo -- mais uma vez, indicando que sorte, e não competência, é o fator preponderante.

Para finalizar, deixo este vídeo para reflexão:


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Torquemadas bem intencionados

O argumento geral da Inquisição era bem simples: se você acredita que quem não segue a Igreja vai para o inferno, então quem questiona a Igreja em público está cometendo um crime horrível -- tentando convencer gente inocente de mentiras e, por tabela, levando essas pessoas para o inferno! Nessa lógica, faz todo o sentido espancar, calar ou matar os hereges: ao fazer isso, o fiel prejudica um ser humano que provavelmente já estava perdido, mesmo, mas salva milhões.

De fato, é um argumento tão simples, lógico, cogente e cristalino que a Inquisição católica representou apenas uma dentre muitas manifestações terrestres dessa espécie de ideal platônico de pureza intolerante. Outros casos emblemáticos que costumam ser muito citados são os das fogueiras de livros do nazismo, e os expurgos soviéticos. As únicas coisa que mudam, de uma iteração para outra, são o nome da "igreja", a definição de "herege" e a conceptualização de "inferno".

É importante notar que, do ponto de vista do inquisidor, a repressão inquisitorial é um ato de boa vontade e, até, de generoso desprendimento: o torturador põe sua alma em risco para poder salvar outras. Ele se suja para que os demais permaneçam limpos.

O que vai aí em cima me ocorreu depois de ver a repercussão do vídeo do soco no neonazista americano. Porque é muito fácil ver um racista abjeto como "herege" e um mundo governado por racistas abjetos como o "inferno". E o circuito do Torquemada bem intencionado se fecha quase sem que percebamos.

Aqui eu podia entra numa onda grandiloquente e citar Nietzsche falando de monstros e abismos, mas vamos manter a coisa num nível bem básico: é errado agredir fisicamente uma pessoa porque ela defende um discurso que consideramos abjeto. Porque é uma aposta segura que todo mundo acredita em alguma coisa que alguém vai considerar abjeto, seja a moralidade de comer churrasco ou a legitimidade da união homossexual. Se ultraje moral justifica agressão, um ativista politicamente correto bater num nazista não é diferente de um católico devoto meter a mão na cara de um médico que realiza abortos.

"Ah, mas o aborto é racionalmente defensável, o racismo não". Concordo. Mas o que determina se algo é racionalmente defensável ou não é, veja só, argumentação racional, não bom-mocismo intuitivo ou krav-magá.

Quem se queixou do uso de violência para calar a boca do imbecil acabou bombardeado por memes "espertinhos" do tipo "boas maneiras não detiveram Hitler". É, de fato, não. O que fica faltando nesse quadro é o fato de que Hitler tinha exércitos. Antes de ter exércitos, tinha arruaceiros paramilitares. Ele não estava só falando merda. Estava dando tiros e espancando pessoas. Não há nada errado em esmurrar um nazista que esteja prestes a descer o cacete em alguém, ainda que o ideal seja chamar a polícia.

Uma das lições mais tediosas da história é a de que repressão e violência não matam ideias: há sistemas de crença que, na verdade, prosperam sob ataque. "Se tem tanta gente contra é porque deve deve haver alguma verdade aí" é um argumento tosco que já vi usado  a favor do marxismo, da escola austríaca de economia e, sim, de xenofobias várias que se aproximam bastante do nazismo. Ideias, de fato, raramente chegam a morrer: o mais comum é que definhem até a irrelevância, reduzindo-se a slogans de malucos pregando no deserto. Bater neles só faz com que as pessoas se lembrem se sua existência.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O último homem na Lua

Morreu Eugene "Gene" Cernan, o último ser humano a deixar a Lua, como membro da missão Apollo 17. Copio abaixo suas últimas palavras na superfície lunar, ditas em 1972:

And, as we leave the Moon at Taurus-Littrow, we leave as we came and, God willing, as we shall return: with peace and hope for all mankind.

"As we shall return, with peace and hope for all mankind". É triste que Cernan parte num momento em que não só o retorno à Lua parece extremamente distante, como também distantes estão as promessas de "paz e esperança por toda a humanidade".